"No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam."
Carlos Drummond de Andrade
Assim que acordou, lindamente nua sobre a cama, disse: - Afinal, por que é que se vive? Decidi que seria um bom momento para ir até a geladeira, pegar uma lata de cerveja bem gelada, sentir o metal frio em meus beiços sedentos, sorver o líquido recondicionante, arrotar e dizer: - Ah! Caminhando a passos lerdos em direção ao banheiro ouvi-a murmurar novamente: - Sinceramente, não sei por que motivo estou viva... Minha cara no espelho tinha uma expressão mortiça e desanimada, meus olhos estavam vermelhos, barba por fazer e cabelos amarrotados. E ela: - Nada, nada, nada do que fiz nesta maldita vida teve, de fato, algum proveito... Enquanto eu mijava, reparava na imundice das paredes e do teto do banheiro, talvez fosse hora para uma pintura. - As vezes tenho vontade de morrer, sabe... Estas eram as palavras que ela proferia no momento em que eu tornava a entrar no quarto, pus a lata no chão, próximo a cama, pulei em cima dela e iniciei uma nova investida contra aquele corpo gasto pelas lancinantes desventuras de uma vida adúltera. Após alguns minutos de luxúria, volúpia e convulsão, dormi com os braços, as pernas e a boca abertos. Quando acordei, ouvi-a resmungar, fungando, sentada aos pés da cama: - A vida é uma droga... Pelo engasgo da voz, notei que chorava. Voltei a dormir. E eu, em meus pesadelos, chorava também.

Quer saber o que eu acho? Quer mesmo minha opinião repetitiva? Não tenho culpa se gosto demais do que leio aqui... Desse teu estilo perfeito de escrever... Ops! Vai ralhar comigo pelo 'perfeito', bem sei! Incrível como tu consegues essa minúcia na descrição do ambiente, enfim.
ResponderExcluirE esses dois aí, acho que se gostam sim. E tomara em breve essa moça pare de se lamuriar tanto.
Beijos, guri.
Em casos assim, há sempre alguém que sai feridos, como já disse Drumond, talvez todos.
ResponderExcluirEste é meu novo endereço:
http://a-veelhanovidade.blogspot.com/
beijos.
que triste!
ResponderExcluirtão rubem fonseca... risos.
abraçooo ;***
Triste e lindamente narrado...abraços,tudo de bom,linda semana(bem curtinha)...chica
ResponderExcluirO velho problema da comunicação (ou sua falha) nos relacionamentos. Se o corpo fala - aqui, os corpos não se entendem, resmungam seus vazios...
ResponderExcluirGostei bastante da escrita e do formato. Os relacionamentos estão na ordem do dia.
abraços
A vida como ela é. Não poderia ser diferente.
ResponderExcluirBeijooO*
A mentira nos cobre, mas é a verdade que nos consome por dentro, não?
ResponderExcluirAbraços, meu caro!
O que será capaz de preencher tamanha falta?
ResponderExcluirO adultério me pareceu uma busca em vão... E mais uma falta sendo cavada do outro lado...
Abraços!
Moni
Muito legal, bela reflexão.
ResponderExcluirAbs
Olha eu aqui no Nota Preta, tempos que não apareço por aqui desde que troquei de blogue.
ResponderExcluirSeus contos são bem bacanas, gostei bastante deste!
Parabéns.
Concordo plenamente com o Drummond.
ResponderExcluirAh Léo, vc me pôs uma pulga atrás da orelha! Mas eu queria saber o que, afinal, eles decidiram...
(:
Profundamente tocante, Léo!
ResponderExcluirBeijo.
Comprovação perfeita de tudo que o Drummond falou.
ResponderExcluirAbraços,
Furtado.
Barbaridade Léo! Conheço alguém na mesma situação. E olha, na vida real parece bem mais aflitivo. Tenho pena destas almas que inultilmente procuram por algo que nem elas mesmas sabem o que é.
ResponderExcluirQuanto à tua escrita, devo dizer que mais uma vez merece elogio.
Quanto lerei um livro teu?
oi Leo!.. prazer enorme em te ler...lindo conto.. narrativa perfeita..mostrando que por tras da traição existe muitas crises. fazer um buraco para tapar outro..lindo e triste.. amei.. beijos
ResponderExcluirExcelente escolha amigo.
ResponderExcluirTenha um bom domingo
beijinhos
Maria
MINICONTO GIGANTE PELA SUA QUALIDADE !
ResponderExcluirGOSTEI DO SEU BLOG !
AQUI TEM FOGO DO BOM...!
UM ABRAÇO , MEU CAMARADA !
Mas que Blog bom de se ler!!!
ResponderExcluir=)