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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Minicontos .8


"Quando olhaste bem  nos olhos meus e 
o teu olhar era de adeus, 
juro que não acreditei..."
Chico Buarque

Arrependeu-se profundamente, que bobagem havia feito. Na vida, muitas são as vezes em que uma atitude impulsiva nos transporta desse mundo diretamente para o inferno. E seria um longo e duradouro inferno. O homem olhou para trás e pensou: - Agora está feito, não há volta. Seus braços cansados carregavam agora o peso de uma parte da sua vida. Da maior parte de sua vida. A sua frente: o tudo novo, o desconhecido, o improvável, o sem perspectivas... Mas ele quis, em algum momento, consciente ou inconscientemente, que isso acontecesse, agiu à luz de pensamentos equivocados, porém, bastou que seu erro se concretizasse para que ele, imediatamente, se desse por conta do quão falho era seu raciocínio acerca da vida... E o demônio, ás gargalhadas, estridentes gargalhadas, punha-se a ensurdecer seus ouvidos espirituais. - Como eu sou idiota! Notava-se, de pronto, que os primeiros tempos daquela nova vida seriam de martírios e condenações psicológicas. Em uma fração de segundo ele ameaçou um passo em direção ao passado, hesitando ao mesmo tempo; e algo perfuro cortante entrou a mutilar sua alma... O infeliz sentiu uma vontade tão insuportável de chorar como a angústia daqueles mais tolos choros de infância. Sabe a criança quando sente falta da mãe? Contudo, limpou, com mãos trêmulas, a lágrima insistente que fazia balançar sua alma e erguendo a perna, a cabeça e o âmago ensaiava o passo mais triste da sua vida quando a porta as suas costas se abriu e a voz embargada da mulher cortou o silêncio: - Espera, vamos conversar! Enfim, o homem, por dentro, sorriu e pensou consigo: - Não foi dessa vez!

12 comentários:

  1. Olá, Léo... Quanto tempo, heim?!?!?
    Adorei o conto! E mais, consegui visualizar com personagens bem proximos rsrsr... Ainda bem que, por cá, a porta não mais se abriu rsrs...

    Beijão, querido!

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  2. CHEGUEI primeiro pra me encantar por aqui!Lindo, como sempre!abração,chica

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  3. Cara, como sempre retorcendo o interior para extrair todo sentimento.

    BeijooO*

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  4. As vezes tomamos decisões que doem muito, mas são fundamentais. Fica um vazio de passado e uma incerteza quanto ao futuro. Mas recomeçar é preciso.
    Abração

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  5. A tua escrita é forte e arrebatadora. Pude ver o homem de dentro sorrir aliviado...
    Seja bem-vindo e obrigada pela visita. Volte sempre que quiser, será um prazer.
    Quanto a mim, sigo-te.
    Um bj. querido novo amigo.

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  6. Gostei do conto Leo..
    Abraço..

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  7. Como diria um conterrâneo teu:

    "Eu que falei sem pensar
    agora me arrependo roendo as unhas
    frágeis testemunhas de um crime sem perdão"

    Abraços!

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  8. Quando o inferno astral insiste em ficar, há de se esperar que ele se vá... E ele se vai, ainda que volta e meia apareça, ele sempre se vai.

    Ainda bem que não era hora, né? E nunca será!

    Beijos, guri.
    Abraços.
    Afagos...

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  9. ô gaúcho que escreve muito bem!

    vem cá no um-sentir e confere o concurso de narrativas curtas que tô promovendo. quero tua participação lá ! =D

    grande abraço!
    e hoje vaaai, grêmio :)

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  10. Adoro contos. E o teu me prendeu de um jeito especial...
    um beijo:**

    p.s muito obrigada pela visita e pelo comentário carinhoso

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  11. Querido léo,

    Estás cada dia melhor nesta arte...
    Incrível este conto...Dancei com as sensações do seu personagem, como seolhasse-me no espelho!

    Parabéns!

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  12. Que beleza!
    Querido, sempre me encanto com teu jeito de fazer poesia.
    Que profundidade!

    Beijo Leo.
    Fernanda.

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