"Quando olhaste bem nos olhos meus e
o teu olhar era de adeus,
juro que não acreditei..."
Chico Buarque
Arrependeu-se profundamente, que bobagem havia feito. Na vida, muitas são as vezes em que uma atitude impulsiva nos transporta desse mundo diretamente para o inferno. E seria um longo e duradouro inferno. O homem olhou para trás e pensou: - Agora está feito, não há volta. Seus braços cansados carregavam agora o peso de uma parte da sua vida. Da maior parte de sua vida. A sua frente: o tudo novo, o desconhecido, o improvável, o sem perspectivas... Mas ele quis, em algum momento, consciente ou inconscientemente, que isso acontecesse, agiu à luz de pensamentos equivocados, porém, bastou que seu erro se concretizasse para que ele, imediatamente, se desse por conta do quão falho era seu raciocínio acerca da vida... E o demônio, ás gargalhadas, estridentes gargalhadas, punha-se a ensurdecer seus ouvidos espirituais. - Como eu sou idiota! Notava-se, de pronto, que os primeiros tempos daquela nova vida seriam de martírios e condenações psicológicas. Em uma fração de segundo ele ameaçou um passo em direção ao passado, hesitando ao mesmo tempo; e algo perfuro cortante entrou a mutilar sua alma... O infeliz sentiu uma vontade tão insuportável de chorar como a angústia daqueles mais tolos choros de infância. Sabe a criança quando sente falta da mãe? Contudo, limpou, com mãos trêmulas, a lágrima insistente que fazia balançar sua alma e erguendo a perna, a cabeça e o âmago ensaiava o passo mais triste da sua vida quando a porta as suas costas se abriu e a voz embargada da mulher cortou o silêncio: - Espera, vamos conversar! Enfim, o homem, por dentro, sorriu e pensou consigo: - Não foi dessa vez!

Olá, Léo... Quanto tempo, heim?!?!?
ResponderExcluirAdorei o conto! E mais, consegui visualizar com personagens bem proximos rsrsr... Ainda bem que, por cá, a porta não mais se abriu rsrs...
Beijão, querido!
CHEGUEI primeiro pra me encantar por aqui!Lindo, como sempre!abração,chica
ResponderExcluirCara, como sempre retorcendo o interior para extrair todo sentimento.
ResponderExcluirBeijooO*
As vezes tomamos decisões que doem muito, mas são fundamentais. Fica um vazio de passado e uma incerteza quanto ao futuro. Mas recomeçar é preciso.
ResponderExcluirAbração
A tua escrita é forte e arrebatadora. Pude ver o homem de dentro sorrir aliviado...
ResponderExcluirSeja bem-vindo e obrigada pela visita. Volte sempre que quiser, será um prazer.
Quanto a mim, sigo-te.
Um bj. querido novo amigo.
Gostei do conto Leo..
ResponderExcluirAbraço..
Como diria um conterrâneo teu:
ResponderExcluir"Eu que falei sem pensar
agora me arrependo roendo as unhas
frágeis testemunhas de um crime sem perdão"
Abraços!
Quando o inferno astral insiste em ficar, há de se esperar que ele se vá... E ele se vai, ainda que volta e meia apareça, ele sempre se vai.
ResponderExcluirAinda bem que não era hora, né? E nunca será!
Beijos, guri.
Abraços.
Afagos...
ô gaúcho que escreve muito bem!
ResponderExcluirvem cá no um-sentir e confere o concurso de narrativas curtas que tô promovendo. quero tua participação lá ! =D
grande abraço!
e hoje vaaai, grêmio :)
Adoro contos. E o teu me prendeu de um jeito especial...
ResponderExcluirum beijo:**
p.s muito obrigada pela visita e pelo comentário carinhoso
Querido léo,
ResponderExcluirEstás cada dia melhor nesta arte...
Incrível este conto...Dancei com as sensações do seu personagem, como seolhasse-me no espelho!
Parabéns!
Que beleza!
ResponderExcluirQuerido, sempre me encanto com teu jeito de fazer poesia.
Que profundidade!
Beijo Leo.
Fernanda.