Praia de Quintão, Verão de 2011.
O Homem tinha acabado de mijar e vinha ainda fechando o reco da bermuda quando avistou ali sentado à mesa de um bar à beira mar um grande amigo seu, dos tempos de colégio de interior. Muitas haviam sido as vezes em que O Homem, saudosamente, se perguntava: que será feito do fulano? Brincando brincando já fazia mais de vinte e tantos anos que não se viam. O Homem chegou a enveredar em direção ao amigo numa atitude impulsiva gerada pela saudade dos tempos de juventude, das brincadeiras maldosas, do futebol no recreio, do beijinho das gurias, mas estancou no terceiro passo. Meteu a mão no bolso, pegou um cigarro e se parou fumando e observando o velho camarada: - Quanto tempo heim, pensava consigo. O ex-colega estava ainda jovem, muito bem cuidado, não tinha envelhecido nada, cabelos bem cortados, visual alinhado, roupas de boa marca. - Quem te viu, quem te vê, refletia O Homem, enquanto, baseando-se apenas em aparências, fazia uma análise da vida do antigo camarada e imaginava seus sucessos. De repente o amigo ergueu-se da cadeira e fez gesto ao garçom solicitando que fechasse sua conta. Nesta hora, O Homem intentou um segundo arranco na ânsia de aproximar-se do seu parceiro querido: - Ah, que vontade de dar um abraço naquele cara, remoía-se por dentro. Não queria acreditar que depois de tanto tempo sem ver um sujeito que fez parte da sua vida, deixaria que ele levantasse e fosse embora sem ao menos dar-lhe um aperto de mão ou um tapa nas costas. Aproximaram-se do amigo, de braços abertos, uma jovem linda, sorridente e uma mulher que, apesar de madura, era tão linda e simpática quanto a menina. - Olha só! E o sem vergonha sempre dizia que casamento era pra louco, recordava consigo O Homem, emocionado, escondido ao pé de uma coluna de bambu que servia de decoração ao ambiente. O amigo abriu bem os braços e, numa única armada larga, envolveu a filha e a esposa, presenteando, esta, com um carinhoso beijo na boca. - Que esposa bonita, meu Deus, e a guria é a cara dele. O Homem observou de longe o amigo sair do bar e entrar com a família numa caminhonete de luxo importada. - Que tri, ele também mora em Porto Alegre, concluiu O Homem, ao ver a placa do veículo. Ergueu a mão, instintivamente, e fez no ar um tchau silencioso e triste ao amigo que sumia em meio às ruas de uma praia qualquer do litoral gaúcho. Tocou fora o cigarro e foi-se embora sentido de não poder botar a conversa em dia com o velho companheiro de escola, mas seria impossível evitar indagações acerca da vida e ele odiaria o constrangimento de ter que relatar a multidão dos seus fracassos.
Para quem quiser ler...
Hoje um texto meu está publicado no blog Quiosque do Pastel.
Espero que gostem.
Um abraço!
Léo neste ano que inicia, venho te desejar tudo de bom meu amigo.
ResponderExcluirBeijo.
PS: como sempre, dando um show de literatura.
Amei.
Fernanda.
O Homem tinha acabado de mijar e vinha
ResponderExcluirE que bela "CAGADA" ele fez de julgar por todo o tempo do decorrido texto aquele AMIGO... nénão !!
E por pura "mesquinhês" de não se JULGADO!!! Que Féla... rsssss
Gostei amigo Léo
Tatto
Uma semana maravilhosa pra ti!
ResponderExcluirUm grande abraço!
É isso aí Léo..
ResponderExcluirvidas e vidas... belo texto.
beijo de bom ano pra ti..
Salve Leo, nossa eu fico tão feliz com tua visita, e teu carinho que dá vontade de sempre escrever melhor...
ResponderExcluirAh, eu já encontrei tantas pessoas do meu passado que sofreram metamorfose agigantada que eu nem teimei em olhar de volta... Pessoas que tinham um tipo de ideal e renderem-se a outro, pessoas que estão melhores, pessoas que estão piores, e meus acenas também ficaram presos no vão do silêncio pela falta de coragem de ir mais além...
Teus escritos são maduros e reais, visitei o Quiosque também e fiquei maravilhada.
Léo eu já volto aqui.
ResponderExcluirEstou postando o primeiro mico do ano.
Depois vc volta lá e ve o que vc acha.
Eu já volto heim!!!!
Voltei,eu ñ to apaixonada ñ,estou sossegada rs.
ResponderExcluirObrigado pelo elogio.
Eu li o texto todinho,poxa o amigo indagou,julgou precipitadamente e depois concluiu o que era óbvio. Saiu cabisbaixo se questionando sobre o seu fracasso.É compreensivo mas cada um colhe o que planta,somos autores de nossa própria história.
Muito legal,gostei rs.
Beijokas.
É guri concordo com Peludim...AMIGO não era nauuummm!
ResponderExcluirBeijuuss, estalados de novos, n.c.
Fala sério!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
ResponderExcluirBeijos.
Oi Léo, vim conhecer seu espaço e gostei!
ResponderExcluirNormalmente não fico lendo muitos posts nos blogs que começo a participar, mas hoje o seu foi diferente...
Li vários textos seus e me agradou a maneira como escreve, muito clara, muito profunda
Também não me manifesto em espaços depressivos, mas em seus textos encontrei algo especial, um talento, uma sensibilidade e algo que ainda está escondido que precisa ser liberado em sua essência
Sou terapeuta e tenho uma capacidade de captar energias que ninguém mais percebe rsss quem me conhece sabe disso
Te convido a fazer parte do meu outro espaço, vai encontrar muita energia por lá, sou uma canalizadora e gostaria que lesse algumas de minhas canalizações, vai sentir algo especial
http://valedosolencantado.blogspot.com/
Ahh, respondi os seus comentários no MC (Meus Cartões) e postei mais um lá pra ti
Beijos no coração!
Às vezes o passado é bom que fique no passado para não perder o encanto e magia que a duras penas criou no presente.
ResponderExcluirUm bj querido amigo
No silêncio de um amigo escondido atrás de uma coluna de bambu...um mar de letras lançadas ao vento.
ResponderExcluirBeijos pra ti guri!
quaquaqua...casamento é pra louco?
ResponderExcluirBEIJOS NA LOUCURA!
Muito bons teus textos!!
ResponderExcluirTenho adorado passar por aqui e te ler, você tem umas sacadas incríveis. Parabéns pelo Blog!
Muito obrigada pelo comentário que vc me deixou.
Feliz Ano Novo!!
Beijo
Ai de nós seres meramente humanos, sempre querendo aquilo que não temos...
ResponderExcluirFELIZ TUDO QUE VC QUISER!!
[meu teclado segue carente de acentos e pontuações]E eu...
Amei o texto, Léo! Bah, bom demais mesmo!
ResponderExcluirQue 2011 te traga muita prosa, poesia e vida!
Bjo
É a vida...bem descrita por vc...
ResponderExcluirBjs
Mila
É ruim demais o arrependimento daquilo que não fizemos... O Homem vai se remoer um tanto por não ter ido lá cumprimentar seu velho amigo, ainda que não houvesse garantias de que o encontro fosse satisfatório.
ResponderExcluirMas que garantias há quando se trata de relações, seja lá quais forem?
Beijos, guri.
Mais um de seus textos, ótimos textos.. Como disse a colega acima vc descreve muito bem a vida, Parabéns Leo. Que 2011 continue te iluminando com seus textos, e te traga coisas muitos boaas, muito doces. Bjss
ResponderExcluirNão tomamos decisõs, vamos adiando, nos escondendo e acabamos nos F...ndo!
ResponderExcluirAbraços.
Sempre um prazer (que merece bis) ler os teus textos!
ResponderExcluirAh cara, adoro a forma como você conduz teus textos, monta teus personagens, e nos presenteia com finais incríveis.
Parabéns, e é lóoogico que irei ao quiosque dos pastéis ler teu texto!
beeijO
Que triste!
ResponderExcluirMas ele poderia ter ido falar com o amigo.
Um beijo queridooooooo.
P.S.: Não existe não, se existisse.. eu mesma contaria!
nossa, deve fazer tempo que eu não entro propriamente no blog porque as coisas estão meio diferentes por aqui... ano novo, casa nova... é isso? risos.
ResponderExcluirbom, léo, estou passando pra dizer que mesmo quando não entro aqui, te leio pelo google reader. estou passando para agradecer a companhia no ano de 2010 e... desejar que você continue firme por 2011. um ótimo ano e mais e mais e mais sucesso!
;*
Leo, meu caro,
ResponderExcluirReconheço que tenho sido um preguiçoso, pois a comodidade de receber os emails com os seus textos tem sido demasiado.
Hoje vim cá, deixar-te um abraço e dizer que escreves como nunca. Parecem uma pintura.
Bom ano para si e sua família.
Abraço.
Seja bem vindo ao Cítrico Léo!
ResponderExcluirEstarei sempre por aqui :D
beijos cintilantes
Gostei da construção das imagens no texto.
ResponderExcluirBelíssimo texto, parabéns.
ResponderExcluirCheguei aqui pelo blog Cítrico, e gostei.
passarei mais vezes.
Feliz ano novo, rapaz.
Bjs meus !
Léooooooooooooo
ResponderExcluirhelppppppppppppppp
gaúcho e gremista;;será;;;;
como vcs colocam poderá tbm gostar de.....
vamos ajudar a profe
bjsssssssssssssssss//
É triste como deixamos escapar das nossas vidas pessoas tão importantes, por conta de medos tão pequenos.
ResponderExcluirÓtimo texto
beijos
Seus textos são ótimos!!
ResponderExcluirParabéns!! Adoro ler seus escritos!
bj
meu blog voltou com tudo acompanhe durante a semana noticiário cultural. Espero que goste. Me siga. Abraços boa semana.
ResponderExcluirinformativofolhetimcultural.blogspot.com
Magno Oliveira
Folhetim Cultural
Que legal. Porque eu estava justamente falando sobre uma coisa como essas, do tipo "fulana está tão triste e tão preocupada, q não quer falar com a gente pra não ter q falar dos momentos ruins q está passando". Só me resta esperar e vez ou outra lembrá-la q eu estou aqui e ainda sou amiga dela.
ResponderExcluirohhhhhhhhhhhhhhhh
ResponderExcluirLéo
O Widget?
Colocarei com certeza!!!
Endereço copiado!!
E Agradeço teu empenho.
Amo que me chamas de Professora!!!
bjs e Boa Tarde
Fike bem
Retribuindo tua visita.
ResponderExcluirSinta-se sempre bem lá no meu
universo.. eheh'
Flores!
Leo, vim aqui te agradecer pelo comentário em meu blog e por me seguir.
ResponderExcluirFiquei mais feliz ainda quando li que você é gaúcho. e persistente. ADOREI. Eu sou de Santa Maria. Moro há 8 anos em Joinville. Te adicionei no msn. ok?
Parabénnnnnnn, é uma nota preta isso aqui!
eheheheh
Tu escreves pra caramba, guri.
Parabéns...
Abraços.
Jozi,
www.olugardascoresescritas.com
Léo, achei seu blog innteressantíssimo.
ResponderExcluirJá li vários textos e não me canso.
Feliz 2011 e fique com Deus!
Adorei teu texto. Parabéns.
ResponderExcluirEscreves muito!
Vou ser sincero logo de cara, me perdoe. Senti um certo receio quanto ao conteúdo do seu blog após ler a primeira frase do texto. Pensava que a produção remetia a atos obsenos e eróticos, não que tenha algo contra, mas não acho que uma pessoa consegue sustentar-se escrevendo sobre essas coisas com frequência. Fiquei surpreendido ao constatar que estava errado e no meio do texto já imaginava o que acarretaria o final disto. Primeiro, amo narrações. Narrações bem escritas, elaboradas e despretenciosas. A sua, por exemplo, não se vale de elementos ficcionários, nem de drama ou romance em demasia. É o puro e velho cotidiano, o bom e velho dia-a-dia. E isso é mágico.
ResponderExcluirNão conheço muita gente que escreve sobre essas coisas, justamente por isso lerei mais sobre você e desvendarei o "Nota Preta".
Obrigado pelo comentário e sinto lhe informar mas mudei a aparência lá do meu blog, rs. Sou um metamorfo, não consigo ficar muito tempo na mesmiçe! Um forte abraço! õ/