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segunda-feira, 28 de março de 2011

Sexo & Literatura

Porto Alegre,  Outono de 2011.

Era um casal tal e qual tantos outros casais.
Um fato extraconjugal comum, apesar de não serem eles,
nem iguais nem desiguais. Dessemelhanças e pequenas desavenças,
convenhamos, são coisas tão naturais. Dois eram os seus gostos e
temáticas principais, em medidas, porém,
distintas: um, simplesmente, gostava
do que o outro gostava demais – e vice-versa.
Sexo e literatura, em doses desproporcionais,
entretinham longuíssimas noites de remotos carnavais.
Enquanto um, sobre a cama,
ardia em desejos carnais, o outro
inventava, à mesa, mil viagens literais. Por vezes,
irresistente, qualquer um poderia ceder, tanto saltando,
enfim, para o leito, como sentando
um pouco para ler. Não que houvesse desapego
por o que o outro propunha fazer, é que uma das coisas
queria-se, porém, a outra
era bem mais que querer. Assim todos os dois faziam,
não davam o braço a torcer,
ao tempo que um implorava, o outro
negava-se a atender. O trecho de um conto inspirado,
ou um verso bom de se ouvir contrastavam
com um corpo pelado que intentava
o outro despir. Seduziam-se mutuamente,
noite afora sem dormir, um querendo mais que o outro,
custavam-se a decidir. Um tinha o domínio das letras,
sua forma de viver, portanto, queria, naquele momento,
gozar como quem fosse morrer. Já o outro
gostava de amar e sabia dar prazer, porém,
trazia entranhadas na mente, coisas por escrever. O fato é que
um rejeitava o assunto que mais conhecia,
sendo que o outro pagava pra ver
e sabia o quanto valia. Queriam, ambos, um do outro,
aquilo que os comprazia e por mais que entre si discordassem,
pairava uma terna harmonia. Propostas e tratativas,
negócios e acordos mesquinhos, trocava-se beijo por verbo
ou sinônimos por carinho. Quantas expressões fingidas,
num fazer-se interessado, em poesias
que eram lidas ou em afagos
que eram dados. Porque quando um se perdia
no que mais lhe interessava, queria trazer o outro
pro mundo que ele sonhava. Mas o outro,
doidivanas, tinha também seu reinado, punha-se, então,
a contender de um jeito leve e encantado. Decidiam-se, às vezes,
em concordância, evitar qualquer rancor,
assim, transavam, dizendo versos ou liam, fazendo amor.
Deus – lá do céu – é que sabe
o quanto sentiam-se vivos,
quando amanheciam
exaustos, fartos e
nus entre livros. 

Revisado por Jozi Elen Fleck.

40 comentários:

  1. LIndo e cada um com suas manias,não? Muito legal sempre teu jeito de escrever...abraços,chica

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  2. Olá Léo!

    Um belo texto, muito interessante.

    Bjsss

    Mila

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  3. Olá Léo!

    Um belo texto, muito interessante.

    Bjss

    Mila

    ResponderExcluir
  4. Uma mistura gostosa essa hein?
    Amei os versos muito bem trabalhados.
    beijos.

    ResponderExcluir
  5. que gostoso de ler Léo..
    muito bom!
    beijos..

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  6. Retribuindo a visita e aprovando seu blog e gostei de como escreve. Também seguidora!
    Saudações!!
    Carla Fernanda

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  7. Completando-se cada um com seus espaços.
    Um grande bj querido amigo

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  8. Léo, que bom que eles se sintonizaram, cada um respeitando o interesse do outro, a mistura teve um final feliz.
    Um abraço!

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  9. Oi Léo
    Aplausos. Quando se caminham por caminhos paralelos, tem que acreditar que em um ponto qualquer, os paralelos se cruzam.
    Abração

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  10. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  11. Bem, é o que dizem: cada doido com sua doidice. E embriagar-se em amor e palavras ao mesmo tempo deve ser um sonho!
    Adorei!
    (:

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  12. um dos textos mais sinceros que eu já li. queria ter uma história dessas na minha vida...

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  13. Olá Guri! Ótimo texto.

    Gostei daqui!
    Muito!

    Sou persistente também nas minhas escolhas.

    Bjos.

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  14. Gostei muito do texto, Léo, fluído, ritmado, bom de ler.

    Sexo e literatura alimentam e dão prazer.

    =*

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  15. Muito bom Léo!
    Adorei o texto!
    bjkas

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  16. E se fosse para escolher uma música para esta história, seria:

    "Não fala nada, ... é tudo real nas minhas mentiras...noite e dia se completam... eu tiro a roupa pra você...só pro meu prazer"

    http://www.youtube.com/watch?v=WEDxAUp7ees

    Beijo, Léo!

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  17. A-D-O-R-E-I! sério! haha
    O jeito que escreve, palavras como pinceladas de tinta na tela branca!
    Sem contar que o assunto do texto foi muito bem escolhido! haha Parabéns!

    e, respondendo ao comentário que fez em meu blog: agradeço! e talvez alguém esteja apaixonado[a] demais para pensar em fins trágicos hehe

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  18. Olá Leo!
    Que texto mais terno,tão intenso,surreal!
    Lindo Lindo,persistir é um dos dons que poucos tem.
    Beijos

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  19. Interessante!

    Afinal, querendo, sempre se acha uma forma de conviver harmonicamente :)

    Abraço

    Cid@

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  20. Sempre achei essa mistura sensacional! ;)

    Que texto delicioso de se ler, rapaz! Vc é o cara!

    Beijo.

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  21. Ando tentando ler em voz alta, mas tu colocou de propósito essas frases desalinhadas, daí eu e meu nordestinês nos perdemos um tanto.

    Mas o bacana é que tu continua afiado, guri. Melhor ainda quando deixa tuas palavras seguirem, simplesmente seguirem.

    Abraços? Beijo!

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  22. Taí, gostei do texto menino!
    Bem delineado e com uma cadência gostosa, velada emm poesia rasgada entre beijos e páginas, letras e fluídos.

    Prosa boa de ler. E RELER!

    abraço da LU C.

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  23. Caramba, estou surpresa. Tento não ir com muita sede ao pote e bebi intensamente nesse post. Com algumas identificações e desavenças.
    Gostei e muito.
    Obrigada pela visita.
    Agora tô aqui.
    Abraços,
    K.

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  24. Cada um com suas manias... e "nossa sina é se ensinar".
    Saio daqui me achando mais normal. Não pq sou mais como outras pessoas, mas pq há mais pessoas como eu. =]

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  25. muito gostoso de ler o que acabei de ler!

    um beijo!

    Bia

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  26. Que delícia, hem!
    Um beijo
    Denise

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  27. Muito bom seu texto!

    sua escrita flui deliciosamente...Parabéns!

    Beijão!!!

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  28. Muito bom seu texto!

    sua escrita flui deliciosamente...Parabéns!

    Beijão!!!

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  29. Nossa que coisa mais linda!Gostei muito deste texto, sexo & literatura..hmm...me parece a combinação perfeita e embora as linhas tragam suas dualidades, o desfecho resgata a essência, o real sentido de tal "combinação" para os respectivos personagens! ´Parabens, pela inspiração e tão bela escrita! Se tornou um dos meus textos preferidos neste mundo de blogs! :)
    Continue assim e obrigada pela visita e comentários!bjs

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  30. E, quem sabe, nas esquinas de nossos quereres a gente não se encontre para sempre?

    Beijos, saudades daqui!

    Suzana/LILY

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  31. Uma convergência de estilos literários recheados por um ótimo e já inconfundível estilo.

    Dos muros que nos separam, a teimosia e a miopia são as piores, penso eu.

    Abração!

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  32. Olá querido!
    Passando para lhe desejar um bom final de semana!
    Beijos meus

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  33. Gostoso ler assim!
    Teus textos sempre apresentam um recorte inusitado, Léo. Gosto disso!
    Bjo

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  34. Deus – lá do céu – é que sabe
    o quanto sentiam-se vivos,
    quando amanheciam
    exaustos, fartos e
    nus entre livros.

    *---* fique sem palavras...

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  35. Adorei o blog!

    seguindo, retribui?
    Beijos
    http://pathyoliver.blogspot.com

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  36. Um se via refletido no outro, entre páginas de vida e livros, viviam e iludiam-se mutuamente…

    Amo teus escritos gurí…

    Ah, não tem perigo, meus novos cabelos não me levaram a introspecção, cabelos negros deixam a mulher com a alma da noite… Assim sendo verei mais vezes estrelas e estrelas penduradinhas na lua… rs

    Abraços e ótima semana pra ti.

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  37. tuas histórias agora em versos. muito muito bom, guri!

    abraços

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  38. Então agora você escreve meio poema, meio prosa...
    Muito bom!

    Eu conheço essa história muito bem.
    Você nem imagina.
    :>)
    bj
    Rossana

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  39. Vim conferir se havia posts novos...abraços rapaz!

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  40. Puro fetiche amassar livros! :) Beijus,

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