Porto Alegre, Outono de 2011.
Era um casal tal e qual tantos outros casais.
Um fato extraconjugal comum, apesar de não serem eles,
nem iguais nem desiguais. Dessemelhanças e pequenas desavenças,
convenhamos, são coisas tão naturais. Dois eram os seus gostos e
temáticas principais, em medidas, porém,
distintas: um, simplesmente, gostava
do que o outro gostava demais – e vice-versa.
Sexo e literatura, em doses desproporcionais,
entretinham longuíssimas noites de remotos carnavais.
Enquanto um, sobre a cama,
ardia em desejos carnais, o outro
inventava, à mesa, mil viagens literais. Por vezes,
irresistente, qualquer um poderia ceder, tanto saltando,
enfim, para o leito, como sentando
um pouco para ler. Não que houvesse desapego
por o que o outro propunha fazer, é que uma das coisas
queria-se, porém, a outra
era bem mais que querer. Assim todos os dois faziam,
não davam o braço a torcer,
ao tempo que um implorava, o outro
negava-se a atender. O trecho de um conto inspirado,
ou um verso bom de se ouvir contrastavam
com um corpo pelado que intentava
o outro despir. Seduziam-se mutuamente,
noite afora sem dormir, um querendo mais que o outro,
custavam-se a decidir. Um tinha o domínio das letras,
sua forma de viver, portanto, queria, naquele momento,
gozar como quem fosse morrer. Já o outro
gostava de amar e sabia dar prazer, porém,
trazia entranhadas na mente, coisas por escrever. O fato é que
um rejeitava o assunto que mais conhecia,
sendo que o outro pagava pra ver
e sabia o quanto valia. Queriam, ambos, um do outro,
aquilo que os comprazia e por mais que entre si discordassem,
pairava uma terna harmonia. Propostas e tratativas,
negócios e acordos mesquinhos, trocava-se beijo por verbo
ou sinônimos por carinho. Quantas expressões fingidas,
num fazer-se interessado, em poesias
que eram lidas ou em afagos
que eram dados. Porque quando um se perdia
no que mais lhe interessava, queria trazer o outro
pro mundo que ele sonhava. Mas o outro,
doidivanas, tinha também seu reinado, punha-se, então,
a contender de um jeito leve e encantado. Decidiam-se, às vezes,
em concordância, evitar qualquer rancor,
assim, transavam, dizendo versos ou liam, fazendo amor.
Deus – lá do céu – é que sabe
o quanto sentiam-se vivos,
quando amanheciam
exaustos, fartos e
nus entre livros.
Revisado por Jozi Elen Fleck.
LIndo e cada um com suas manias,não? Muito legal sempre teu jeito de escrever...abraços,chica
ResponderExcluirOlá Léo!
ResponderExcluirUm belo texto, muito interessante.
Bjsss
Mila
Olá Léo!
ResponderExcluirUm belo texto, muito interessante.
Bjss
Mila
Uma mistura gostosa essa hein?
ResponderExcluirAmei os versos muito bem trabalhados.
beijos.
que gostoso de ler Léo..
ResponderExcluirmuito bom!
beijos..
Retribuindo a visita e aprovando seu blog e gostei de como escreve. Também seguidora!
ResponderExcluirSaudações!!
Carla Fernanda
Completando-se cada um com seus espaços.
ResponderExcluirUm grande bj querido amigo
Léo, que bom que eles se sintonizaram, cada um respeitando o interesse do outro, a mistura teve um final feliz.
ResponderExcluirUm abraço!
Oi Léo
ResponderExcluirAplausos. Quando se caminham por caminhos paralelos, tem que acreditar que em um ponto qualquer, os paralelos se cruzam.
Abração
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
ResponderExcluirBem, é o que dizem: cada doido com sua doidice. E embriagar-se em amor e palavras ao mesmo tempo deve ser um sonho!
ResponderExcluirAdorei!
(:
um dos textos mais sinceros que eu já li. queria ter uma história dessas na minha vida...
ResponderExcluirOlá Guri! Ótimo texto.
ResponderExcluirGostei daqui!
Muito!
Sou persistente também nas minhas escolhas.
Bjos.
Gostei muito do texto, Léo, fluído, ritmado, bom de ler.
ResponderExcluirSexo e literatura alimentam e dão prazer.
=*
Muito bom Léo!
ResponderExcluirAdorei o texto!
bjkas
E se fosse para escolher uma música para esta história, seria:
ResponderExcluir"Não fala nada, ... é tudo real nas minhas mentiras...noite e dia se completam... eu tiro a roupa pra você...só pro meu prazer"
http://www.youtube.com/watch?v=WEDxAUp7ees
Beijo, Léo!
A-D-O-R-E-I! sério! haha
ResponderExcluirO jeito que escreve, palavras como pinceladas de tinta na tela branca!
Sem contar que o assunto do texto foi muito bem escolhido! haha Parabéns!
e, respondendo ao comentário que fez em meu blog: agradeço! e talvez alguém esteja apaixonado[a] demais para pensar em fins trágicos hehe
Olá Leo!
ResponderExcluirQue texto mais terno,tão intenso,surreal!
Lindo Lindo,persistir é um dos dons que poucos tem.
Beijos
Interessante!
ResponderExcluirAfinal, querendo, sempre se acha uma forma de conviver harmonicamente :)
Abraço
Cid@
Sempre achei essa mistura sensacional! ;)
ResponderExcluirQue texto delicioso de se ler, rapaz! Vc é o cara!
Beijo.
Ando tentando ler em voz alta, mas tu colocou de propósito essas frases desalinhadas, daí eu e meu nordestinês nos perdemos um tanto.
ResponderExcluirMas o bacana é que tu continua afiado, guri. Melhor ainda quando deixa tuas palavras seguirem, simplesmente seguirem.
Abraços? Beijo!
Taí, gostei do texto menino!
ResponderExcluirBem delineado e com uma cadência gostosa, velada emm poesia rasgada entre beijos e páginas, letras e fluídos.
Prosa boa de ler. E RELER!
abraço da LU C.
Caramba, estou surpresa. Tento não ir com muita sede ao pote e bebi intensamente nesse post. Com algumas identificações e desavenças.
ResponderExcluirGostei e muito.
Obrigada pela visita.
Agora tô aqui.
Abraços,
K.
Cada um com suas manias... e "nossa sina é se ensinar".
ResponderExcluirSaio daqui me achando mais normal. Não pq sou mais como outras pessoas, mas pq há mais pessoas como eu. =]
muito gostoso de ler o que acabei de ler!
ResponderExcluirum beijo!
Bia
Que delícia, hem!
ResponderExcluirUm beijo
Denise
Muito bom seu texto!
ResponderExcluirsua escrita flui deliciosamente...Parabéns!
Beijão!!!
Muito bom seu texto!
ResponderExcluirsua escrita flui deliciosamente...Parabéns!
Beijão!!!
Nossa que coisa mais linda!Gostei muito deste texto, sexo & literatura..hmm...me parece a combinação perfeita e embora as linhas tragam suas dualidades, o desfecho resgata a essência, o real sentido de tal "combinação" para os respectivos personagens! ´Parabens, pela inspiração e tão bela escrita! Se tornou um dos meus textos preferidos neste mundo de blogs! :)
ResponderExcluirContinue assim e obrigada pela visita e comentários!bjs
E, quem sabe, nas esquinas de nossos quereres a gente não se encontre para sempre?
ResponderExcluirBeijos, saudades daqui!
Suzana/LILY
Uma convergência de estilos literários recheados por um ótimo e já inconfundível estilo.
ResponderExcluirDos muros que nos separam, a teimosia e a miopia são as piores, penso eu.
Abração!
Olá querido!
ResponderExcluirPassando para lhe desejar um bom final de semana!
Beijos meus
Gostoso ler assim!
ResponderExcluirTeus textos sempre apresentam um recorte inusitado, Léo. Gosto disso!
Bjo
Deus – lá do céu – é que sabe
ResponderExcluiro quanto sentiam-se vivos,
quando amanheciam
exaustos, fartos e
nus entre livros.
*---* fique sem palavras...
Adorei o blog!
ResponderExcluirseguindo, retribui?
Beijos
http://pathyoliver.blogspot.com
Um se via refletido no outro, entre páginas de vida e livros, viviam e iludiam-se mutuamente…
ResponderExcluirAmo teus escritos gurí…
Ah, não tem perigo, meus novos cabelos não me levaram a introspecção, cabelos negros deixam a mulher com a alma da noite… Assim sendo verei mais vezes estrelas e estrelas penduradinhas na lua… rs
Abraços e ótima semana pra ti.
tuas histórias agora em versos. muito muito bom, guri!
ResponderExcluirabraços
Então agora você escreve meio poema, meio prosa...
ResponderExcluirMuito bom!
Eu conheço essa história muito bem.
Você nem imagina.
:>)
bj
Rossana
Vim conferir se havia posts novos...abraços rapaz!
ResponderExcluirPuro fetiche amassar livros! :) Beijus,
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